Lúpus Eritematoso

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Lúpus Eritematoso

O lúpus eritematoso (LE) abrange três subtipos reconhecidos:

  •  Lúpus eritematoso sistêmico (LES)
  •  Lúpus eritematoso cutâneo subagudo (LECS)
  •  Lúpus eritematoso discóide (LED).
  •  LES – O Lúpus eritematoso sistêmico ou apenas Lúpus, é uma doença inflamatória crônica de origem autoimune, cujos sintomas podem surgir em diversos órgãos de forma lenta e progressiva (meses) ou mais rapidamente (em semanas), e variam com fases de atividade e remissão. .  Ainda não possui etiologia totalmente esclarecida. Há algumas hipóteses que afirmam que é causado devido à exposição repetida ou prolongada a um auto-antígeno. Em 80% dos casos , os pacientes são do sexo feminino em sua idade fértil. Alguns sintomas gerais são febre, emagrecimento, falta de apetite, fraqueza e desânimo.  E pode ser relativo a cada órgão acometido como dores articulares, manchas na pele, inflamação na pleura, hipertensão e/ou problemas renais.  Possui raras manifestações bucais, mas, quando observadas são em forma de ulcerações, áreas eritematosas (vermelhas) erosivas ou placas brancas(ceratose), presentes na mucosa jugal (bochecha), gengiva e palato, que às vezes se apresentam simetricamente distribuídas. Por vezes, estas lesões assemelham-se ao líquen plano e estão localizadas principalmente na mucosa jugal e no palato.

lupus-eritematoso-cutâneo

  • LECS – O Lúpus eritematoso cutâneo subagudo está entre a forma mais agressiva, com tendência cicatricial. Dados epidemiológicos sugerem que fatores ambientais podem ser responsáveis por alguns casos. Alguns fatores que podem desencadeá-lo são: luz ultravioleta, pesticidas e inseticidas, metais pesados e outros elementos, tabaco, alimentos, medicamentos (hidroclorotiazida, anti-histamínicos, bloqueadores de canal de cálcio, naproxeno, contraceptivos orais, estrógenos) e infecções.Há relatos que mostram o surgimento do LECS ou sua exacerbação em pacientes que usam terbinafrina.

lupus-eritematoso-discóide

  •  LED é um subtipo benigno do lúpus eritematoso. É bem localizado e menos agressivo,  geralmente os pacientes não evoluem para a forma sistêmica. Afeta principalmente  áreas expostas ao sol, como face e couro cabeludo.  Na cavidade bucal, atinge cerca de 25% dos pacientes, dos quais, as bochechas e gengivas são as mais afetadas. As lesões aparecem como placas eritematosas  (vermelhas) em forma de disco com margens hiperpigmentadas (mais escuras)ou erosões, usualmente com estrias  brancas e delicadas. Aproximadamente 20% das pessoas com LES terão lesões cicatriciais em forma de anel ou disco como sintoma inicial de sua doença. Essas lesões do LES podem ser confundidas, por muitos médicos, como LED. O LED não pode ser diagnosticado apenas pelo formato da lesão, mas sim pela história e exame físico completo e interpretação dos resultados sorológicos. Elas tendem a curar com atrofia, cicatrizes e alterações pigmentares. O início das lesões pode ser precipitado por trauma, estresse mental, queimadura solar e exposição ao frio. Envolvimento visceral não ocorre, mas pequena porcentagem de pacientes com LED pode mais tarde desenvolver lúpus eritematoso sistêmico. Alterações hematológicas e sorológicas em cerca da metade dos pacientes sugerem etiologia autoimune.

Dúvidas Frequentes

  • Quem tem Lúpus?

O Lúpus pode ocorrer em pessoas de qualquer idade, raça e sexo, porém as mulheres são as mais acometidas. Ocorre principalmente entre 20 e 45 anos, sendo um pouco mais frequente entre mestiços e afrodescendentes. No Brasil estima-se que aproximadamente 65.000 pessoas tenham Lúpus, sendo a maioria mulheres.

  •  O que causa o Lúpus?

Embora a causa ainda não seja conhecida, sabe-se que fatores genéticos, hormonais e ambientais participem de seu desenvolvimento.  Portanto, pessoas que nascem com predisposição genética, após a interação com fatores ambientais passam a apresentar alterações imunológicas. Assim, começa um desequilíbrio na produção de anticorpos que reagem com proteínas do próprio organismo e causam inflamações em diversos órgãos como na pele, mucosas, pleura e pulmões, articulações, rins, etc. Cada pessoa com lúpus tende a ter manifestações clínicas (sintomas) específicos e muito pessoais.

  • Quais os sintomas?

Os sintomas são diversos e variam de intensidade de acordo com a fase em que está a doença (atividade ou remissão). Manifestações gerais: cansaço, desânimo, febre baixa (pode ser alta), emagrecimento e perda de apetite.  Isso ocorre devido à inflamação na pele, articulações (juntas), rins, nervos, cérebro e membranas que recobrem o pulmão (pleuras)e o coração (periocárdio). Crianças, adolescentes ou mesmo adultos podem apresentar inchaço nos gânglios (ínguas), que geralmente é acompanhada por febre e pode ser confundida com os sintomas de infecção como rubéola ou mononuclease.

  • Quais as manifestações clínicas mais frequentes?

    • Lesões de pele- 90% dos casos. Manchas avermelhadas nas maçãs do rosto e dorso do nariz (lesões em asa de borboleta) que não deixam cicatriz, cansaço, febre, fotossensibilidade, queda dos cabelos.
    • Articulares- dor com ou sem inchaço nas juntas, principalmente das mãos, punhos, joelhos e pés. A artrite (inflamação das juntas) tende a ser bastante dolorosa e ocorre de forma intermitente. Podem surgir tendinites.
    • Inflamação das membranas que recobrem o pulmão(pleuris) e o coração(pericardite). Podem ser leves ou assintomáticos e podem aparecer como dor no peito. No caso da peluris ocorre dor ao respirar, pode haver tosse seca a falta de ar. Na pericardite pode haver palpitações e falta de ar.
    • Inflamação dos rins (nefrite) – Ocorre em 50% dos portadores de LES. Nas formas mais graves ocorre pressão alta, inchaço nas pernas, urina fica espumosa podendo diminuir a sua quantidade. Se não tratar adequadamente pode haver insuficiência renal.
    • Alterações neuro-psiquiátricas – São menos frequentes mas podem causar convulsões, alterações de humor ou comportamento (psicoses), depressão e alterações dos nervos periféricos e da medula espinhal.
    • Sangue- Pode causar anemia, lecopenia ou linfopenia, e plaquetopenia (aumento do sangramento menstrual, hematomas e SANGRAMENTO GENGIVAL). A anemia pode causar palidez na pele e mucosas e cansaço.
  • Como é o tratamento do Lúpus?

O tratamento é individualizado, pois depende da manifestação clínica apresentada. Sempre inclui remédios que agem na modulação do sistema imunológico como os corticóides (cortisona), os antimaláricos e os imunosupressores. O uso do protetor solar é imprescindível!

  • Quais os cuidados que a pessoa com Lúpus deve ter?
    • Tratamento com remédios
    • Alimentação e repouso adequados.
    • Evitar situações de estresse
    • atenção rigorosa com a higiene por causa do risco de infecções

 

 

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