Orientações Odontológicas para Gestantes

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Orientações odontológicas para Gestantes

A gravidez determina o quadro de Doença Periodontal?

Não, são as alterações hormonais e imunológicas durante a gestação, as mudanças na composição da placa bacteriana, favorecendo a flora periodontopatogênica, (bactérias que causam doenças) que acentua a resposta gengival e periodontal, modificando o quadro clinico na falta de um controle adequado de placa.

A gravidez aumenta o risco de cárie dentária?

A diminuição da capacidade fisiológica do estômago faz com que a gestante passe a ingerir alimentos em menores quantidades e maior frequência, o que pode aumentar o risco a carie dentária.

Preciso tomar comprimidos de flúor?

Não. Já foi comprovado cientificamente que o flúor não atravessa a barreira placentária, então, não é necessário.

Durante a gestação, a mulher devera ter acesso a orientações sobre os futuros cuidados com o bebê. A qualidade da saúde bucal da mãe está positivamente relacionada a futura condição de saúde bucal do bebê.

Considerando que a mãe tem um papel fundamental nos padrões de comportamento apreendidos durante a primeira infância, ações educativo-preventivas com gestantes qualificam sua saúde e tornam-se fundamentais para introduzir bons hábitos desde o inicio da vida da criança.

DOENÇAS PERIODONTAIS E A RELAÇÃO COM PARTO PREMATURO.

Grandes esforços médicos através de recursos terapêuticos e intervenções de saúde pública são realizados para reduzir a prematuridade. Mesmo assim sua incidência tem aumentado nas últimas duas décadas. A prevalência varia, em geral, de 6% a 15% do total de partos, dependendo da população estudada. Essa variação nas taxas de prematuridade relatadas na literatura parece estar relacionada às diferentes condições socioeconômicas e culturais das gestantes, diferenças geográficas, fatores étnicos e tipos diversos de assistência pré-natal disponíveis durante o período gestacional.

A associação de parto prematuro com a periodontite em mulheres grávidas está demonstrada em estudos realizados em diversos países, incluindo Brasil, Estados Unidos, Hungria, Croácia e Holanda.

Por outro lado, em 1997, Offenbacher e colaboradores, ao realizarem um estudo observacional, mostraram ser verdadeira a relação entre os eventos.

As mães com doença periodontal apresentaram risco 7,5 vezes maior de nascimentos prematuros com bebês de baixo peso

A hipótese que associa uma infecção ao nascer prematuro é a de que os próprios microorganismos ou suas toxinas, como endotoxinas (lipopolissacarídeos) podem alcançar a cavidade uterina durante a gestação pela corrente sanguínea, a partir de um foco não-genital ou por meio de uma rota ascendente do trato genital inferior. Esses microorganismos ou seus produtos, ao interagirem, provavelmente na decídua (uma das membranas ovulares), estimulam a produção de mediadores químicos inflamatórios – as prostaglandinas (PGE2) e o fator necrose tumoral α (FNT α) – pela gestante, que alcançam níveis elevados (durante a presença de processos infecciosos), acelerando a gestação (promovendo a dilatação cervical, a contração do músculo uterino e o início do trabalho de parto e nascimento propriamente dito).

Por meio de uma série de experimentos em animais foi possível demonstrar que, embora o risco obstétrico esteja aumentado perante a presença de processos infecciosos agudos, a exposição crônica de patágenos bucais aumenta a possibilidade de complicações na prenhez de animais.

Os primeiros trabalhos com modelos de ratazanas prenhes demonstraram que a presença de microorganismos orais durante a gravidez resultavam em retardo de crescimento fetal, demonstrado com a utilização de modelos de infecção subcutânea crônica com Porphyromonas gingivalis, bem como modelos de periodontite experimental. Essas bactérias estão associadas à doença periodontal.

Desta forma, estes dados fornecem importantes evidências para validar a possibilidade de que infecções orais distantes, mesmo apresentando baixa virulência, também podem desencadear a inflamação da unidade maternofetalhumana de forma análoga à vista com as infecções do trato genitounitário, por exemplo.

Infecções em diversas partes do corpo podem gerar uma resposta inflamatória sistêmica e possuem potencial para induzir o nascimento de bebês prematuros e/ou baixo peso. Alguns estudos sugerem, inclusive, qual a microbiota de algumas infecções vaginais, um fator de risco conhecido, é composto basicamente por microorganismos anaeróbios e oportunistas, tendo perfil similar a microbiota encontrada nos estágios avançados da doença periodontal.

O cirurgião-dentista pode colaborar realizando um exame periodontal nas pacientes grávidas, para que este número não aumente ainda mais. Se confirmada a presença da periodontite, deve entrar em contato com o médico obstetra da paciente e tratá-la normalmente, de preferência durante o segundo trimestre da gravidez.

Segundo a Academia Americana de Periodontia, 2004

Todas as mulheres grávidas ou que pretendem engravidar devem se submeter a um exame bucal.

Medidas preventivas terapêuticas apropriadas, se indicadas, devem ser efetuadas e podem ter um efeito benéfico na saúde de seus bebês.

O protocolo de atendimento recomendado às pacientes gestantes é:

Primeiro trimestre : Exame clínico para identificação da presença ou não de doença periodontal. Instruções sobre higiene oral e controle de placa bacteriana. As gestantes que não forem portadoras de periodontopatias, devem receber instruções para retornarem apenas para terapia de manutenção.

Segundo Trimestre: tratamento da doença periodontal e terapia de manutenção nas gestantes que não possuem doença periodontal.

Terceiro Trimestre
: terapia de manutenção.

O aumento dos hormônios progesterona e estrogênio acarretam mudanças fisiológicas e imunológicas importantes no organismo da gestante. Tais condições podem ser responsáveis pelo desenvolvimento da doença periodontal, gengivite gravídica e do granuloma piogênico, se já houver a doença pré-existente.

É necessário criar um programa para a saúde bucal da população brasileira de mulheres grávidas, com intenção de minimizar os efeitos potencializadores da gestação sobre sua condição periodontal, por meio de orientação de higiene oral e tratamento periodontal durante o programa pré-natal. O estabelecimento da saúde oral é importante durante a gravidez, no intuito de minimizar os efeitos da gestação sobre a condição bucal, como também os resultados perinatais indesejáveis e melhorar a qualidade de vida e o bem-estar da gestante e do bebê.

Referências Bibliográficas

LINDHE, JAN. Tratado de Periodontia Clínica e Implantologia Oral. Quarta edição. Editora Guanabara Koogan.
Revista PERIO NEWS, ABRIL/MAIO/JUNHO 2008.

 

Resumo: Orientações específicas à gestante

  • Orientação sobre saúde bucal na gestação e melhores períodos para tratamento;
  • Exame de tecidos moles e identificação de risco a saúde bucal;
  • Diagnóstico de lesões de cárie e necessidade de tratamento preventivo e/ou curativo;
  • Diagnóstico de gengivite ou doença periodontal crônica e necessidade de tratamento;
  • Orientações sobre hábitos alimentares (ingestão de açúcares) e higiene bucal.a

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